A diversidade conta e muito!

Uma pesquisa realizada com 336 companhias públicas pela McKinsey & Company e publicada em Fevereiro de 2015 avaliou a relação entre o nível de diversidade (definida como a presença de mulheres e minorias étnicas/raciais em cargos de liderança) e o desempenho financeiro das companhias, contemplando países na América Latina, o Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

A análise apontou uma relação estatisticamente significante entre uma equipe de liderança com alta diversidade entre seus integrantes e melhor desempenho monetário. As companhias líderes em diversidade de gênero possuíam uma chance 15% maior de obter retornos financeiros acima da mediana nacional de suas respectivas áreas. Já empresas com mais diversidade étnica/racial tinham uma chance 35% maior de ter retornos financeiros acima da mediana nacional. Companhias com menos diversidade de gênero e étnica/racial estavam, estatisticamente, com menos chances de obter resultados monetários acima da média estabelecida dentro do conjunto de dados. Os resultados variaram entre países e indústrias; por exemplo, empresas britânicas com alta diversidade em todos os campos apresentaram índices mais favoráveis que empresas americanas com nível de diversidade equivalente.

Variações entre os países apontam para uma demanda maior por diferenciação competitiva através da diversidade no campo de trabalho; a exemplo, nos Estados Unidos existe uma relação linear entre diversidade étnica/racial e melhor desempenho financeiro. Ademais, neste país, tal modalidade de diversidade tem um impacto maior que a de gênero; modalidade já tratada por ações passadas que promoviam a maior representação de mulheres na força de trabalho, com bons resultados. Em contrapartida, no Reino Unido, a diversidade de gênero correspondia à maior vantagem financeira. Sob uma perspectiva geral, algumas indústrias performam melhor junto da diversidade de gênero; outras, com diversidade étnica/racial.

A relação entre diversidade e desempenho destacada pela pesquisa aponta para uma correlação, não uma relação causal. É uma distinção importante, mas os dados já coletados permitem hipóteses plausíveis acerca do fenômeno. É razoável (além de ter sido demonstrado em outros estudos) que companhias mais diversas têm chances maiores de obter funcionários eficientes, melhorar suas relações com clientes, satisfação de funcionários e tomada de decisões, levando a um ciclo virtuoso de ganhos crescentes. Além disso, sugere-se que diversidade em outros campos (como idade, orientação sexual e cultura) também apresentará resultados positivos.

Entretanto, realizar tal mudança oferece obstáculos, como preconceitos inconscientes presentes nos membros da empresa. Isso realça a importância de programas robustos de transformação organizacional que abordam preconceitos inconscientes de maneira explícita, além de um compromisso palpável por parte da liderança de uma companhia. Estudos no campo da economia comportamental que apontam para a chamada “arquitetura da escolha” evidenciam que tal mudança é possível.

Diversidade importa, pois vivemos em um mundo cada vez mais globalizado e interconectado; não deve ser uma surpresa que instituições e companhias mais diversificadas apresentam melhor desempenho financeiro. A maioria das organizações pode se beneficiar com as oportunidades que uma equipe diversificada oferece; para isso, têm muitas metas pela frente: atrair, desenvolver, ensinar, divulgar, e manter a próxima geração de líderes mundiais em todos os níveis organizacionais. Dados os crescentes retornos que maior diversidade pode trazer, é melhor investir agora; vencedores estarão à frente, enquanto aqueles mais vagarosos permanecerão como tal.

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Escrito por

Thiago Sousa